sábado, 11 de agosto de 2012

Lua



Um dia você foi meu sol,
mas ai percebi que existia a lua
uma luz diferente,
que surgiu em meio a escuridão
iluminou minhas noites,
espantou o medo,
deu avidez aos meus olhos,
aguçou minha mente,
apesar de seus vários ciclos
sempre esteve lá,
sempre quando precisava enxergar.


21/07/2011

domingo, 29 de julho de 2012

Não se escolhe quem se ama?


Uma vez eu escutei que “não se escolhe quem se ama”, eu pergunto: “Será?”. Mas será mesmo? Será que se você não tivesse se deixado conhecer ou procurado conhecer a pessoa que você diz amar hoje, você hoje a amaria? Eu falo com todas as letras: “Com certeza que não”, você sinceramente acha que ao vislumbrar o olhar de uma pessoa você tem a certeza que ficarão unidos para sempre e blá blá blá? Sem sequer que essa pessoa consiga trocar duas palavras com você? Não sejamos hipócritas, o olhar é o primeiro passo, mas sem a conversa, que é o segundo, os passos seguintes nunca virão, e aquilo que você julgava ser “Amor à primeira vista”, não passa de uma pura e simples atração, certo? Se esta pessoa que te atraiu sumir, você provavelmente voltará a dar uma olhada mais ávida na próxima que se mostrar interessante, e nunca mais pensará nela outra vez.
Eu me acho racional demais, ou simplesmente um babaca – alguns mais românticos estão pensando assim, acredito eu, e provavelmente já parou de ler –, desacredito piamente nisso, também vamos lá, como posso gostar verdadeiramente de alguém que não sei o nome, o que faz, o que gosta de fazer, o que costuma fazer, aonde vai, com quem vai, etc. Isso é atração, culpa dos nossos instintos selvagens. Mas acredito na conquista, aquela piada sem graça que faz a outra pessoa sorrir, a conversa fiada, os toques, compartilhar gostos, ou somente divergi-los, às vezes só procuramos alguém que nos completa e não uma cópia sua.
Então, por favor, parem de falar coisas sem lógicas, pois, mesmo que o amor seja construído por um monte de coisas sem lógicas, é ilógico gostar – ok, “amar”, estamos falando de amor – de alguém que você não conhece, antes de começar a ficar ilógico no "amor", necessitamos de alguma lógica, e se deixar conhecer é o segundo passo, nem sempre acaba no “amor”, mas com certeza é parte crucial dessa caminhada.

18/04/2012

terça-feira, 24 de julho de 2012

Desejo mínimo



É rara,
quase inexistente,
tão superficial,
aquela sensação
aquela vontade,
aquele desejo,
mas por mais raro que seja,
por mais superficial,
consegue superar tudo.
Meus desejos,
minhas vontades,
meus anseios...
Ah! Vontade desgraçada!
Desce mais uma dose garçom!

28/10/2011

domingo, 8 de julho de 2012

Menos seu pai


Um olhar,
Uma conversa casual,
Uma música,
E outra música...
E outra música...
Um beijo,
Gestos e demonstrações de afeto.

Ficamos tensos,
Alguém nos observava,
Seria seu pai?
Graças a Deus, não
Era meu irmão.
Alivio, por um instante
O perigo foi muito excitante,
Relaxamos, meu irmão saiu.
Demoramos e depois voltamos à festa
Primeiro ela, depois eu.
Apesar de tentar disfarçar
Nossos olhares se cruzam
E aqueles que não notaram o sumiço
Passam a desconfiar,
Menos seu pai.


14/12/2009

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Inevitável


Hoje te conheci.
Hoje te amei.
Hoje te odiei.
Hoje te amei de novo...
Hoje me odiei...

Odeio-me por te amar.
Adoro te amar...
Odeio ter te conhecido.
Adorei te conhecer.
Adorei te beijar,
Adorei te tocar,
Adorei te abraçar,
Odiei... odiei... odiei...

Odiei a frustração,
Te amo a tal ponto,
Que ao admitir
Que te amo,
Me odeio tanto
Que me amo cada vez mais,
Pois sinto que a racionalidade
Aos poucos retorna,
E novamente sossegado,
Posso dormir.

30/11/2009

sábado, 16 de junho de 2012

Tudo culpa do vale-transporte!


Olá, meu nome é Xirley, e antes que me venham com piadinhas, não sou a Xirley da música de Zé Cafofinho e Suas Correntes, e nem faço café coado na calcinha, ok? Vamos adiante, estava começando a faculdade, e como todo bom estudante, era uma lisa, até para pegar um ônibus precisava de uma ajuda dos meus pais, mas neste caso do ônibus, quem me ajudava era minha irmã mesmo – Beijo minha gata! Eu te amo viu? –, ela é quem me patrocinava, doando seus vales-transportes, e quem diria que seria por conta deles que conheceria meu marido? Acasos do destino! Vamos a história? Explicado isso, fica mais fácil entender, na época, as passagens tinham aumentado de preço – pela milésima vez só naquele semestre –, então, para não perdê-los, decidi ir ao órgão competente fazer a troca, chamei minha amiga tira-colo e partimos para a sede da Transpal, entrei na sala, falei com a recepcionista e fiquei esperando minha vez, minha amiga tinha decidido esperar do lado de fora. Ainda bem que a sala tinha ar-condicionado, achei uma grande besteira dela ter ficado lá fora, devia estar fazendo uns 33º, não pude fazer nada, era escolha dela mesmo.
Passei um bom tempo no ócio, o tempo parecia que não passava, lia revistas, olhava para o teto, olhava os outros estranhos esperando que algum me chamasse atenção, mas era esforço em vão. E de repente, ele entrou, estava ainda com a cabecinha voando, percebi realmente sua entrada, porque desajeitadamente ele soltou a porta e ela bateu com bastante força, causando um grande estrondo e chamando não só a minha atenção, mas a de todos que lá se encontravam, ele fez uma carinha tão bonitinha de assustado e envergonhado, porém, quando ele abriu os olhos, quase me perdi naquele belo par de olhos claros, disfarcei, comecei a olhar de canto de olho, ele se aproximou e perguntou se era aqui que trocava os vales-transportes, afirmei positivamente com a cabeça – Eu sabia que ele sabia a resposta, mas achei que só queria puxar assunto –, ele foi sentar do outro lado da sala, estrategicamente de frente a mim – Bobinho não é? –, eu evitava olhar, tentava enganar olhando por cima da revista, estava meio nervosa, mexia no cabelo a cada 2 segundos, senti um alívio quando a recepcionista me atendeu, saí da sala, mas sabia que ele era o próximo, resolvi ficar de fuxico na porta com minha amiga, comentei se ela viu o gato que tinha passado e coisas do tipo, pouco tempo depois, ele sai, falei “Conseguiu trocar?”, ele respondeu que sim e seguiu trajetória de ir embora, nessa hora tive um aperto no coração, estava triste por saber que não o veria mais... Aí ele parou no 1º degrau e deu a volta, aproximou-se e falou “Eu não pudia ir embora sem saber o seu nome” – Menino decidido! –, respondi, ele brincou perguntando se eu conhecia a música “Xirley”, conversamos por um tempo, trocamos números de telefones, ele falou que esse era do trabalho, mencionei que o meu era de casa – É amigos, celular não era algo disseminado naquela época... –, depois, cada um seguiu seu destino, ele me prometeu ligar o mais breve possível.
O primeiro dia foi moleza, sabia que ele não me ligaria tão assim, de cara, o segundo, ainda era normal, apesar de um pouco de ansiedade, ainda achava prematuro ele ligar, no terceiro dia fiquei meio duvidosa, no quarto dia já estava apreensiva, no quinto dia comecei a ficar preocupada, no sexto já estava pensando que ele não ligaria, no sétimo já estava puta de raiva, mas muito preocupada e com grande vontade de ligar pra ele. Comentei com uma amiga que tinha se passado uma semana e ele não tinha ligado, estava decidida a ligar, afinal ele tinha me dado o telefone do seu trabalho. Quando finalmente criei coragem, liguei – Num orelhão da rua, claro! Iria ficar mais tensa se tivesse feito essa ligação em casa –, uma moça atendeu, pedi para falar com ele, pouco tempo ele atende ao telefone:
-        Rapaz, cadê a ligação? – seguida de uma risada – Como você não ligou, e tinha me dado o número do telefone do seu trabalho eu decidi ligar. Ainda lembra de mim?
-        Oi, lembro sim, mas desculpa, eu liguei sim, só que você não se encontrava em casa.
Aí a ficha caiu, devia ter sido ele a ligação que minha irmã atendeu e comentou que o rapaz tinha voz bonita, e eu jurando que tinha sido alguém da faculdade, mesmo tendo interrogado lá se alguém tinha me ligado. Continuei a conversa:
-        Vixe, devia ser você então a ligação que minha irmã atendeu e disse que não tinha deixado recado.
-        Foi eu sim, não sabia se você ainda se lembraria de mim, então não quis deixar recado, e a propósito, estava decidido te ligar hoje, só estava esperando sair pra hora do almoço.
-        Ah meu filho! Ia dar azar de novo, estou te ligando de um orelhão direto da faculdade, então, que bom que eu decidi não esperar mais. – mais sorrisos dos dois lados da linha.
-        Bem, eu sei que por telefone não é o melhor meio da gente conversar, até porque estou no trabalho e você está aí, com um medo terrível das unidades acabarem, o que acha de nos encontrarmos?
-        Por mim tudo bem, qual o melhor dia pra você, já que trabalha?
-        Prefiro o sábado a tarde, pela manhã tem aquele sagrado futebol com os amigos...
-        Vamos nos encontrar aonde?
-        O que acha da praia da Jatiúca?
-        Sou meio enrolada com os ônibus, eu só sei chegar no shopping, a gente pode se encontrar lá...
-        Você sabe que de lá até a praia é meio distante não é?
-        Mas é bom, que a gente já vai conversando.
-        Você quem sabe... Então marcado para sábado?
-        Sim.
A conversa ainda durou por mais um tempo, até que as unidades do cartão se esgotaram, causando uma crise de histeria por minha parte, mas como já tínhamos marcado o encontro, agora era só esperar. Os dias que se passaram foram muito longos, estava ansiosa para encontrá-lo, durante a semana não tinha outro assunto que falava com minhas amigas, senão esse encontro, elas percebiam a minha euforia, e temiam que eu saísse decepcionada do encontro, mas eu estava pouco me lixando, e não me incomodava com as reações delas. Finalmente o grande dia chegou, como tínhamos combinado, ele ligou para minha casa e disse que eu já podia pegar o ônibus e ir ao shopping, chegando lá, ele estava no ponto de ônibus, aparentava estar nervoso, olhava para o relógio, ainda o vi balbuciar “Que demora!”, desci do ônibus e ele mudou de expressão – Achou que eu o daria um bolo, provavelmente –, ele ainda falou “Achei que não vinha, demorou hein?”, falei que o transito só piora a cada dia. Saímos a pé e fomos conversando, ainda comentei com ele que realmente era muito longe e estava meio arrependida, devia ter marcado num lugar mais próximo, ele só riu e falou: “Eu te avisei...”, quando finalmente chegamos à praia, ficamos num quiosque, pediu um refrigerante, perguntou se queria algo, depois de descansarmos as pernas da andança, ele sugeriu irmos à praia, já saímos de mãos dadas, quem olhasse, sabia que já configurávamos um casal, só faltava o momento certo de dar o nosso primeiro beijo... Eis que ao fundo começa a tocar “A Maçã” de Raul Seixas, ele me olhou, e no exato momento que o trecho: “Se eu te amo e tu me amas/ E outro vem quando tu chamas/ Como poderei te condenar/ Infinita tua beleza”, ele me beijou, e assim iniciou minha história por conta de um simples vale-transporte, eu nunca amei tanto um aumento de passagem, como naquela época!