segunda-feira, 11 de junho de 2012

Sala de Estar


Sairíamos mais uma vez, a noite estava aconchegante, fria, mas na temperatura ideal, que bom que não chovia, poderíamos aproveitar bem, passei na tua casa, e pra variar, você não estava pronta, fiquei na sala esperando você sair, cruzava as pernas, mudava de perna, falava com sua mãe, uma besteira qualquer, do tipo: “Está frio hoje não?”, e ela mal respondia, entretida com a novela, olhei para o cunhado, mesmo ele com cara de poucos amigos, falei: “Viu o jogo de ontem da Libertadores? Santos quase que perde, apesar de ser Flamengo, sou Santos na Liberta.”, ele faz um sinal de positivo e não responde nada. Tempos depois, chega teu pai na sala, com esse nem tentei conversar, na última vez que estive aqui, ele estava bêbado, falou muita coisa, inclusive para ter cuidado, falei que a filha dele estava em boas mãos, mesmo assim, ainda me fez virar duas doses de cachaça, que quase não aguento, o pior, foi que no outro dia quando vim te buscar, ele me olhou com um cara tão feia que me assustei, tive a certeza que nem lembrava das doses que me fez beber... Vai lá saber? Sogro é sempre estranho, e o meu então? Nem se fala.
“Êta demora dessa mulher para se arrumar! Agora se ela já está pronta, e eu me demoro por mais de 2 minutos, o mundo cai, são ligações a cada 2 segundos”, eu pensava, fazer o que? Mulheres adoram nos fazer esperar, mas odeiam se ocorre o inverso, enquanto isso, eu fico aqui, na sala, com essa cara de santa puta, sem saber o que fazer, olhando para o relógio, mexendo no celular, e pior, nem posso jogar, a sogra, vez ou outra, olha para ele, acho que pra ver se vê alguma mensagem chegar dos pariceiros chamando pra beber, mas ainda bem que não chega, ela já fala demais. Sogro e cunhado continuam lá, olham, olham e não falam nada, sempre com aquela cara de poucos amigos, nem tentei mais dialogar, acomodei-me no sofá, e fiquei assistindo a novela, olhos na TV, sem entender coisa alguma com porra nenhuma, ainda tentei recorrer a alguma explicação da sogra, mas a jiboia, sequer abriu a boca, desisti de perguntar.
Quando estava ao ponto de simular uma ligação e ficar na porta de casa, você sai do quarto, fiquei pasmo, meu queixo caiu, os olhos pareciam ver uma miragem, uma ninfa, uma deusa, você estava fabulosa! Teu irmão caiu na gargalhada ao ver minha reação, ainda falou: “Mané apaixonado, parece que nunca viu minha irmã, é sempre assim, quando vem aqui”, teu pai só deu um sorriso com o comentário, mas logo fechou a cara, tua mãe nem piscava, estava mais interessada na novela do que em qualquer comentário. Você demorou, mas valeu muito a pena, nunca pensei que 15 intermináveis minutos fossem fazer tanta diferença. O restante da noite foi só alegria, assim que saímos, fomos comer uma pizza, depois namorar na pracinha, até receber a ligação do teu pai ciumento, mandando-te ir pra casa, nada demais, levo-te lá, dou-te mais alguns beijos na frente do sogro e parto pra casa feliz.

26/05/2012

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Erro cíclico


A vida inteira passamos levando porrada...
A vida nos ensina coisas,
Que muitos amigos tentam nos aconselhar,
Mas somos bichos,
Aprendemos tudo na base da porrada e do chicote,
Apanhamos... apanhamos... e apanhamos...
Até que criamos vergonha
e pensamos em parar de errar,
Mas uma nova aula estamos prestes a receber
E novamente a castigos severos
Iremos nos submeter,
Tornamos a apanhar,
E a pensar que a lição foi aprendida,
Mas a vida é longa... tão longa...
Apanhamos tanto, que no fim da vida
Tentamos aconselhar nossos filhos e netos,
Mas assim como nossos pais tentaram,
Falhamos, vemos nossos filhos e netos sofrerem
Tudo aquilo o qual nos sujeitamos,
Erros e superações,
E por fim o ciclo reinicia,
Eles tentam conscientizar e aconselhar,
Porém, seus filhos e netos,
Assim como nós, falham
E o ciclo reinicia mais uma vez...


26/11/2009

domingo, 27 de maio de 2012

Desespero



Ontem você me veio à mente,
Presença constante,
Quase incessante
E inexplicável,
Me consumia de tal forma
Que em mais nada pensava,
Trocava o nome das pessoas
E por teu nome chamava.

Acordei, de ressaca estava,
Mas a primeira coisa
Que me veio à mente
Foi o teu nome,
A angústia me bateu,
Tanto te desejava,
Mas muito longe você estava,
Ao contrário dos meus antigos amores,
Você me desejava,
Por isso a angústia aumentava,
Queria te ter em meus braços,
Mas estavas tão longe
Que eu me desesperava.

16/12/2009

terça-feira, 22 de maio de 2012

A Palavra que não volta


Alguns dizem: “que pena que a palavra proferida não tem volta”, já eu digo: “ainda bem”, melhor falar a palavra engasgada do que engoli-la a palo seco. Com grande desprazer que te falei tudo aquilo agora a pouco, ainda que fale que foi melhor falar, não sinto e nunca sentirei prazer em machucar as pessoas com a palavra dita, mas estava sufocado, o que não falava apertava a garganta, fechava o pulmão, sentia que não podia mais continuar sentindo isso, traia a você e ainda mais a mim, a você porque transmitia algo que não era verdadeiro, falando a verdade inicialmente era, mas tudo mudou, traia a mim mesmo porque senti a mudança e me omiti e a omissão é a pior das traições, pior ainda quando a omissão é consigo mesmo.
Jurei que nunca iria jurar, mas agora me permito jurar, foi com grande desprazer que te falei tudo aquilo, mas te juro que foi melhor falar, afinal ainda bem que a palavra dita não tem volta... Permitindo-me uma ultima vez jurar, juro-te não mais deixar chegar a esse ponto. Segue teu caminho em paz...

13/11/2010

sábado, 12 de maio de 2012

O que dizer da minha mãe?


Perguntaram-me uma vez se existia relacionamento entre homem e mulher sem que haja sexo envolvido, ou que isso possa ser uma amizade verdadeira, respondi com outra pergunta: “Por acaso você olha para sua mãe ou irmã pensando em sexo?”. Ah! Mas alguns podem falar, “Poxa velho, irmã e mãe não conta”, mas respondo que você não foi específico na sua pergunta, que generalizou, e entre outras coisas mais. Logo, agora começa o real problema da questão, o que realmente sentimos pela nossa mãe? Não sei você, mas ela para mim é um exemplo, é aquele tipo de mulher que eu queria me casar, ela é surpreendentemente linda, aquelas madeixas escuras, aquele cabelo encaracolado, aquele jeitinho de reclamar das nossas atitudes, mas nunca nos ofender com todas as palavras, e aquela jeito de sempre estar certa. Ok, eu sei que os traços que falei, não podem ser totalmente a sua mãe, mas sei que configura uns 70% sobre o que ela faz e não de como ela é fisicamente, então, fica a disposição de cada um reeditar os traços pessoais, mas em uma coisa temos que concordar, mesmo sendo mulher, elas são as lindonas da nossa vida!
Parou, parou! Vamos parar com o velho clichê, eu sei que elas são as mais adoradas, as que mais fazem falta, que mesmo que tenhamos mil anos de vida, nunca iremos querer que elas se vão, acho que é um dos maiores medos que temos, maior ainda que a própria morte... Mas o que me adianta repetir os clichês? Dizer de novo que não conseguimos nos imaginar acordar, e sem ter aquele bom e velho café da manhã pronto? Ou aquele almoço deliciosamente preparado, mesmo que ela tenha errado na dosagem do sal? – Um dia tu vai sentir saudades dessa comida sem sal, otário! Então cala a boca e não reclama–, falar mais uma vez que poderíamos viver sem o amor de qualquer pessoa do mundo, mas sem o de nossas mães? Que nos importamos até com a espécie de genro/nora a vamos presentear? Que vamos sempre tentar alcançar suas expectativas?
Clichê, clichê e clichê de novo, então vamos falar do quê? Puts velho! Está difícil então fazer uma boa mensagem do Dia das Mães (é, aquela pessoa adorada e idolatrada salve, salve! Tá bom, parei...). Ah! Que se dane! Não tem como fugir dos velhos clichês! Poxa mãe, o que posso dizer da senhora? Que te amo, que não imagino minha vida daqui a quinhentos anos sem você? Que não sei o que faria sem o ultra, hiper, intergalaticamente “colo de mãe”? Kara Véia (cantor de vaquejada das minhas terras que se suicidou um bom tempo atrás) tinha razão, quando falava “Por tanto quem não tem mãe/ Só nasce para sofrer”... Mãe, é aquele ser que você vive e morre amando e não tem o que ela faça que te deixe com eterna raiva. Eu te amo mãe!

12/05/2012

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Pensar muito pra quê?


Parei de pensar no ontem,
Vivo o hoje, e nem penso no amanhã,
Pois o amanhã se torna o hoje,
O hoje se torna o ontem,
E o ontem não tem mais sentido,
Então pra que viver do ontem?
Pra que se preocupar com o amanhã?
Se tudo se desfaz, e o tão temível amanhã
Tornou-se o hoje, e consequentemente o ontem.
Logo, só me interessa o hoje.


08/05/2012

sábado, 5 de maio de 2012

Conversa com a Saudade


Toc, toc, toc. Alguém bate na porta, vou lá conferir, chegando fico surpreso, é a velha amiga Saudade, começamos a conversar:
-        Oi velha amiga! Há quanto tempo!
-        Oi amigo, sabe como é, vez ou outra venho te visitar.
-        Mas então, como você está? Por que veio depois de tanto tempo?
-        Estou bem, vim aqui entregar esta foto que minha prima, Lembrança, deixou para você.
-        Ah! Esquece, pode jogá-la fora.
-        Ué, por quê?
-        Não preciso dessa foto para me lembrar do rosto da Paixão, mas olhando bem, até que ela era bonita, mas conversei muito com o Tempo, meu psicólogo, e sua assistente, a Razão. Convenceram-me a deixá-la de lado.
-        Mas como isso aconteceu? Foi tão problemático assim o envolvimento de vocês?
-     Como você é inocente Saudade... Você sabia que a Inveja vivia nos atrapalhando, criando histórias e provocando confusões.
-      Verdade, tinha esquecido daquela vadia inescrupulosa, mas você vira e volta estava com a Mentira, vai me negar agora?
-        Realmente, gostava da companhia dela, já me tirou de cada uma... Você não tem nem noção.
-        Em compensação, colou-te em cada saia justa com a Paixão desnecessariamente.
-        Não nego, Mentira às vezes abusava demais.
-        Mudando um pouco de assunto, no meio do caminho vi que a Tranquilidade vinha daqui, finalmente voltasse a fazer as pazes com ela.
-     Pois é, na época que namorava com Paixão, vivia tendo problemas com a Tranquilidade, ela falava que Paixão não me fazia pensar nas coisas direito, isso me irritava e consequentemente brigava cada vez mais com a Tranquilidade, daí ela começou a se afastar.
-        Bom, mas quem intercedeu pra que vocês voltassem a se dar bem?
-     É até constrangedor falar, mas você lembra que a Razão é prima dela? Quando comecei a fazer as sessões, ela me interrogou do porque não falar mais com a Tranquilidade, daí por diante, ela começou a agendar as sessões da Tranquilidade para um horário próximo a minha, nisso, voltar a nos falar foi inevitável.
-        Esperta ela, que bom que conseguiu esse feito. Sim e as novidades?
-       Estou namorando com a Razão... acho que vai ser uma relação duradoura, quase certeza que mesmo que acabe o namoro, iremos ser bons amigos. Nossa relação é mais de amizade que outra coisa, por isso acho que irá durar muito.
-        Nossa! Quantas surpresas você tem pra mim.
-        Você demorou muito a reaparecer na cidade, e me visitar parece que ficou em último plano.
-        Nada, ocupações me afastavam, e confesso que até tive um certo receio.
-        Por quê?
-       Da última vez, você ficou meio triste por ter tocado no nome da Paixão sem querer, ao sair daqui, vi que você colocou uma música e abriu uma cerveja, ainda deu pra escutar o som da garrafa sendo aberta.
-     Sem problemas, sua insegurança é normal, ainda era muito recente na sua última visita, e pecados assim a gente deixa passar, nem sempre dá pra acertar tudo.
-        Mas então você está bem mesmo? Não pensa mais nela?
-        Vou confessar-te, ainda penso um pouco nela, principalmente quando você ou a Lembrança vem me visitar, mas não tanto quanto antes, conversar com o Tempo tem ajudado muito. Teve uma época que ficava deprimido só de ouvir o nome dela, mas agora, acho a coisa mais normal.
-      Bem amigo, já que você está bem, vou indo embora, fiquei de dar uma passada lá na casa da Paixão também, acho que a Lembrança deu uma passada lá mais cedo, ou foi assim que ela me prometeu.
-        Mas já? Tão cedo, mal conversamos...
-     Você me conhece, e eu já te falei da minha falta de tempo, e no mais, sabe que não sou de demorar muito nas visitas. Apelidaram-me de médico por causa disso.
Ambos sorriram, ele acompanhou a Saudade até a porta, quando começou a sentir aquele aperto no coração, pegou o telefone e ligou pra sua namorada, a Razão, e ficaram conversando até altas horas da noite.


20/04/2012

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Sonhos estranhos.



Essa noite sonhei com você.
Meu Deus! Se amo outra,
Porque sonhei com você?
Alguém aí de cima
Poderia me responder?
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Foi o que pensei...
Ninguém responde,
Vou ter que descobrir sozinho.


13/01/2010